Os técnicos que trabalham comigo não almoçam, pelo que eu também não o devo fazer. Além disso também não posso comer na presença dos camponeses. Seria falta de respeito, uma vez que estes também não almoçam. Significa isto que durante quatro dias consecutivos não almocei. Depois de um pequeno-almoço madrugador, a refeição seguinte (geralmente uma sandocha de queijo e um sumo) só vem depois das 17 ou 18 horas, já no carro, na viagem de regresso a casa. Mas sim… sobrevivi a esta espécie de Ramadão.
Apesar do calor também não convinha beber água (sim, exactamente, por causa disso mesmo… ingerir implica ter de a verter algum tempo depois, sendo que eu não saberia minimamente onde o fazer). Por isso, no final do dia, entre o regresso e a hora do jantar há que dar cumprimento à DDR do precioso líquido (a garrafinha de 1,5 litros).
Quinta feira à noite foi o alívio do dever cumprido.
no regresso... east, west, home's best...
Esta semana está a ser mais tediosa: pôr toda a informação na base de dados. Já estou enjoada de olhar para folhas de excel cheias de quadradinhos e números. Por estes dias, aqui no ximbeco não reina a paz do costume. Andam a fazer obras e a barulheira lá fora não ajuda à concentração. Sinto vontade de dar uma volta para desentorpecer as pernas e o cérebro. Ainda me aventurei até ao portão mas o sol tórrido fez-me desistir. Respirei fundo, enchi os olhos com as cores da paisagem e voltei para a monotonia das paredes brancas e das células do excel.
Aqui é sempre difícil arriscar um passeio pedestre um pouco mais longínquo, porque corre-se o risco de ficar esturricado com o sol, ensopado até aos ossos pela chuva ou mesmo carbonizado por um raio. Por isso o impermeável, o guarda-chuva, o chapéu para o sol, os óculos escuros e o protector solar são amigos inseparáveis. E uma mochila de tamanho suficiente para levar tudo isso e mais a garrafa de água. Acho que hoje vamos ter um mix… já conheço aquelas nuvens de desenvolvimento vertical que se avistam no horizonte e a quantidade de água e de electricidade que carregam.
Bem, pelo menos hoje tenho direito a almoço. Depois volto para o computador. Para a semana volto à aldeia… e ao jejum diurno. Entretanto ainda não decidi qual o sacrifício maior: se o "ramadão" ou se o excel. Valem as contrapartidas: o que a "minha aldeia" me ensina e o aconchego do meu ximbeco.
4 comentários:
Isso do Jejum vs Excel é um berbicacho. Se por um lado se calhar no campo a trabalhar nem se dá pela fome se calhar por outro... dá.
PS: Este blogger é muito badalhoco. A palavra que me pede para inserir na verificação das palavras para autorização de publicação do comentário é "comshot". Certo que não é a palavra propriamente dita mas mesmo assim...
lol... as partidas que o blogger te prega! Não me digas que ias lançado a inserir a "outra" ;D
Só há dias é que descobri aqui o teu estaminé (cortesia do Nuno) e hoje li os posts todos de enfiada!!!
Continua a escrever (e que bem que o fazes) para nos dares um cheirinho dessa África que não conhecemos.
Beijocas grandes!
Xanoquita
Ora seja muito bem vinda.
Continuarei a escrever na medida em que a (in)disponibilidade da internet me permitir.
beijocas e aparece sempre.
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