sexta-feira, 3 de abril de 2009

O intruso nocturno

Já passava das 23 horas, estava eu em vale de lençóis, os grilos grilavam como habitualmente, e eu pronta para viajar para o país dos sonhos. Subitamente um grande alarido lá fora...
- Mata, mata!... Está a fugir para ali!... Atira!...
Pelo meio sons de qualquer coisa a bater...
Sentei-me na cama a tentar perceber o que se passava, o coração a bater forte. Aconselharia a prudência a que eu me mantivesse às escuras e me barricasse na casa de banho. Mas já dizia o outro que a curiosidade matou o gato e lá agarrei na lanterna que dorme na minha cabeceira e, à falta de um colete à prova de bala, saí para o quintal mesmo de pijama e chinelos. Na esquina do bloco de quartos, vejo os guardas dessa noite, o Filipe que batia furiosamente com um pau no chão vociferando algo que entretanto eu já nem percebia e o Cardoso virado para ele apontando a kalash. Recolhi-me novamente, respirei fundo três vezes e voltei a abrir a porta. Lá me saiu a pergunta retórica:
- Tudo bem por aí?...
(retórica e ridícula, direi eu…).
- Matámos dôtora, matámos!
- Mataram??!!!??
- Sim, matámos a cobra!

Ah!... respirei novamente, acho que de alívio, não sei bem. Lá me aproximei o mais que consegui, pois com a escuridão o melhor era jogar pelo seguro. Apontei a lanterna, o bicho já ensanguentado e meio estripado ainda se mexia.
- Cobra, aqui? E mataram mesmo? Está mesmo morta?
- Sim, sim. Eu mesmo matei… com o pau. O Cardoso queria atirar nela mas estava muito escuro e não dava…

Foi a primeira vez que ouvi falar em matar cobras com rajada de metralhadora, mas pronto, se calhar também dá.
Depois de mais dois dedos de conversa (sobre cobras e outras feras) lá voltei para a camita, não sem antes vedar a fresta por baixo da porta e entalar o melhor que pude a rede mosquiteira por baixo do colchão. O cansaço acabou por se sobrepor a qualquer receio e em poucos segundos "apaguei".

Aqui fica a foto do bicho tirada na manhã seguinte. Disseram-me que era uma cuspideira, mas como destes bichos a única coisa que sei é que tenho medo deles, por mim pode ser qualquer coisa. Talvez o senhor biólogo me possa dar uma pista...

5 comentários:

Unknown disse...

Credo! Essas coisas aparecem ao pé de casa? E tens soro anti-ofídico?
Vê se te cuidas hein?
Beijos
Cris & Cª.

Anónimo disse...

LOL Infelizmente o senhor biólogo não é zoologo hehehe Não faço ideia o que seja :)

uma papaia disse...

Supostamente estas coisas não aparecem ao pé de casa mas às vezes acontece. Eu não tenho soro mas os médicos têm. Também já me instruíram sobre as precauções a adoptar no campo... p.ex. nada de apanhar à toa com as mãos os objectos que caem para o chão no meio das plantas.

Agradecida na mesma senhor biólogo. Até opinião mais avalizada vou confiar das gentes aqui do campo... e fugir a sete pés quando vir uma bicha destas.

Anónimo disse...

Aí vêem-se muitas bichas? Ou andam escondidas?

uma papaia disse...

Haver, penso que as há em todo lado, mas aqui acho que andam mais escondidas.
:p