Já passava das 23 horas, estava eu em vale de lençóis, os grilos grilavam como habitualmente, e eu pronta para viajar para o país dos sonhos. Subitamente um grande alarido lá fora...
- Mata, mata!... Está a fugir para ali!... Atira!...
Pelo meio sons de qualquer coisa a bater...
Sentei-me na cama a tentar perceber o que se passava, o coração a bater forte. Aconselharia a prudência a que eu me mantivesse às escuras e me barricasse na casa de banho. Mas já dizia o outro que a curiosidade matou o gato e lá agarrei na lanterna que dorme na minha cabeceira e, à falta de um colete à prova de bala, saí para o quintal mesmo de pijama e chinelos. Na esquina do bloco de quartos, vejo os guardas dessa noite, o Filipe que batia furiosamente com um pau no chão vociferando algo que entretanto eu já nem percebia e o Cardoso virado para ele apontando a kalash. Recolhi-me novamente, respirei fundo três vezes e voltei a abrir a porta. Lá me saiu a pergunta retórica:
- Tudo bem por aí?...
(retórica e ridícula, direi eu…).
- Matámos dôtora, matámos!
- Mataram??!!!??
- Sim, matámos a cobra!
Ah!... respirei novamente, acho que de alívio, não sei bem. Lá me aproximei o mais que consegui, pois com a escuridão o melhor era jogar pelo seguro. Apontei a lanterna, o bicho já ensanguentado e meio estripado ainda se mexia.
- Cobra, aqui? E mataram mesmo? Está mesmo morta?
- Sim, sim. Eu mesmo matei… com o pau. O Cardoso queria atirar nela mas estava muito escuro e não dava…
Foi a primeira vez que ouvi falar em matar cobras com rajada de metralhadora, mas pronto, se calhar também dá.
Depois de mais dois dedos de conversa (sobre cobras e outras feras) lá voltei para a camita, não sem antes vedar a fresta por baixo da porta e entalar o melhor que pude a rede mosquiteira por baixo do colchão. O cansaço acabou por se sobrepor a qualquer receio e em poucos segundos "apaguei".
Aqui fica a foto do bicho tirada na manhã seguinte. Disseram-me que era uma cuspideira, mas como destes bichos a única coisa que sei é que tenho medo deles, por mim pode ser qualquer coisa. Talvez o senhor biólogo me possa dar uma pista...
- Matámos dôtora, matámos!
- Mataram??!!!??
- Sim, matámos a cobra!
Ah!... respirei novamente, acho que de alívio, não sei bem. Lá me aproximei o mais que consegui, pois com a escuridão o melhor era jogar pelo seguro. Apontei a lanterna, o bicho já ensanguentado e meio estripado ainda se mexia.
- Cobra, aqui? E mataram mesmo? Está mesmo morta?
- Sim, sim. Eu mesmo matei… com o pau. O Cardoso queria atirar nela mas estava muito escuro e não dava…
Foi a primeira vez que ouvi falar em matar cobras com rajada de metralhadora, mas pronto, se calhar também dá.
Depois de mais dois dedos de conversa (sobre cobras e outras feras) lá voltei para a camita, não sem antes vedar a fresta por baixo da porta e entalar o melhor que pude a rede mosquiteira por baixo do colchão. O cansaço acabou por se sobrepor a qualquer receio e em poucos segundos "apaguei".
Aqui fica a foto do bicho tirada na manhã seguinte. Disseram-me que era uma cuspideira, mas como destes bichos a única coisa que sei é que tenho medo deles, por mim pode ser qualquer coisa. Talvez o senhor biólogo me possa dar uma pista...
5 comentários:
Credo! Essas coisas aparecem ao pé de casa? E tens soro anti-ofídico?
Vê se te cuidas hein?
Beijos
Cris & Cª.
LOL Infelizmente o senhor biólogo não é zoologo hehehe Não faço ideia o que seja :)
Supostamente estas coisas não aparecem ao pé de casa mas às vezes acontece. Eu não tenho soro mas os médicos têm. Também já me instruíram sobre as precauções a adoptar no campo... p.ex. nada de apanhar à toa com as mãos os objectos que caem para o chão no meio das plantas.
Agradecida na mesma senhor biólogo. Até opinião mais avalizada vou confiar das gentes aqui do campo... e fugir a sete pés quando vir uma bicha destas.
Aí vêem-se muitas bichas? Ou andam escondidas?
Haver, penso que as há em todo lado, mas aqui acho que andam mais escondidas.
:p
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