Do meu ximbeco avista-se o fim do mundo. É uma das coisas que esta terra nos permite: olhar longe, muito longe, sem que nada nos corte a profundidade. Ter à frente uma paisagem que se estende até à linha do horizonte, lá no fim do mundo. Em Portugal só consigo ter esta sensação quando me encontro à beira-mar, mas aqui basta sair da cidade para ter o infinito ao alcance de um olhar.
E apesar de todas as recomendações, arrisco ignorar uma das medidas básicas de prevenção do paludismo (evitar a hora do pôr-do-sol) e gosto de me sentar no degrau do alpendre a ver a luz do dia esbater-se, até ser engolida lá para os lados do fim do mundo. Agora, em plena época das chuvas, as nuvens geralmente dominam o horizonte e o entardecer faz-se em estranhos tons de madrepérola. Mas também há aqueles dias que entardecem claros e então a luz afoga-se num mar de vermelho intenso.
Aqui, apesar de estarmos no verão (a estação dos dias mais longos), a noite chega bastante cedo e instala-se rapidamente. O crepúsculo é muito curto e, em pouco tempo, as cores que dominam o dia (o verde da paisagem, misturado com o vermelho da terra, encimados por um céu ora azul ora cinzento) dão lugar a um negro que seria absoluto, não fosse o invulgar número e brilho das estrelas que povoam este céu. Nas noites de lua cheia há uma luz prateada, intensa, que desobriga do uso da lanterna e permite adivinhar cada árvore e cada arbusto que se erguem sobre o capim na vastidão que rodeia aqui o ximbeco.
Mas se esta imensurabilidade me transmite uma enorme paz e me preenche de uma forma que é difícil descrever e explicar, também me faz sentir a distância física que me separa das pessoas queridas que ficaram para lá da linha do horizonte e com as quais me habituei a partilhar sentimentos e vivências. A vontade de continuar a partilhar as experiências do dia-a-dia, e tudo o mais que me der na telha, levou-me a criar este ximbeco virtual. Tanto quanto as contingências da navegação cibernáutica (que aqui são imensas e limitantes) me permitirem, aqui tentarei deixar, entre outros pensamentos e desabafos, alguns apontamentos e sentimentos sobre esta aventura de viver e trabalhar numa África mais ou menos profunda, num país ainda lacerado pela guerra, mas que, à sua maneira algo tortuosa e aos poucos, parece querer reerguer-se.
E apesar de todas as recomendações, arrisco ignorar uma das medidas básicas de prevenção do paludismo (evitar a hora do pôr-do-sol) e gosto de me sentar no degrau do alpendre a ver a luz do dia esbater-se, até ser engolida lá para os lados do fim do mundo. Agora, em plena época das chuvas, as nuvens geralmente dominam o horizonte e o entardecer faz-se em estranhos tons de madrepérola. Mas também há aqueles dias que entardecem claros e então a luz afoga-se num mar de vermelho intenso.
Aqui, apesar de estarmos no verão (a estação dos dias mais longos), a noite chega bastante cedo e instala-se rapidamente. O crepúsculo é muito curto e, em pouco tempo, as cores que dominam o dia (o verde da paisagem, misturado com o vermelho da terra, encimados por um céu ora azul ora cinzento) dão lugar a um negro que seria absoluto, não fosse o invulgar número e brilho das estrelas que povoam este céu. Nas noites de lua cheia há uma luz prateada, intensa, que desobriga do uso da lanterna e permite adivinhar cada árvore e cada arbusto que se erguem sobre o capim na vastidão que rodeia aqui o ximbeco.
Mas se esta imensurabilidade me transmite uma enorme paz e me preenche de uma forma que é difícil descrever e explicar, também me faz sentir a distância física que me separa das pessoas queridas que ficaram para lá da linha do horizonte e com as quais me habituei a partilhar sentimentos e vivências. A vontade de continuar a partilhar as experiências do dia-a-dia, e tudo o mais que me der na telha, levou-me a criar este ximbeco virtual. Tanto quanto as contingências da navegação cibernáutica (que aqui são imensas e limitantes) me permitirem, aqui tentarei deixar, entre outros pensamentos e desabafos, alguns apontamentos e sentimentos sobre esta aventura de viver e trabalhar numa África mais ou menos profunda, num país ainda lacerado pela guerra, mas que, à sua maneira algo tortuosa e aos poucos, parece querer reerguer-se.
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